Sete anos sem metade do coração é muito tempo? Para ser franca pareceram setenta anos, o tempo voou e relativizou tudo o que eu pensava ser certo e sabido.
Lembro-me que os amigos pacientemente me diziam que o tempo ajuda a esqueçer, ou pelo menos ajuda a ganhar uma conformação agridoce com a realidade. Mas não...o que o tempo faz é trazer mais tempo, longo e às vezes insuportável.
Sete anos de tempo não sei se é muito ou pouco, sei sim que tem sido duro, roçando os limiares da tortura.
Hoje fez sete anos que o meu pai partiu. Quando acordei de manhã decidi que ia ter um dia feliz, um dia em que não me ia deixar apanhar pelas mãos da tristeza ou da saudade. E assim o fiz. Levantei-me com um sorriso, estive com amigas, fui passear um pouco e ocupar o meu cérebro com frivolidades saudáveis, um ansiolítico fantástico.
Mas a realidade impôs-se...e voltou a esmagar-me. E começei a chorar. Em pleno centro comercial, com lágrimas vindas do nada. Do nada? Não, estavam contidas e temporariamente ludibriadas.
Sete anos depois percebi que não posso ter dias felizes. Eles simplesmente não existem. Ou pelo menos deixaram de existir...Há sete anos atrás.